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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Essência de Lágrimas e Saudades



Estava sentado esperando ser atendido no banco quando de repente senti uma respiração intensa e profunda perto de mim.
Viro abruptamente para o lado e vejo uma senhora de olhos marejados me olhando fixamente. Fiquei preocupado e logo a questionei se estava tudo bem, então ela respira fundo enquanto enxuga as lágrimas e me diz:
- Seu perfume é muito parecido com o do meu falecido marido e o grande amor da minha vida. Obrigada por esta lembrança e que você seja muito feliz, assim como eu fui e ainda sou.
Eu, chorão feito uma manteiga derretida, já logo me emocionei e disse: - Me abraça mulher, me cheira mais e mata essa saudade. Finalizamos rindo e logo sua senha foi chamada e ela se foi.

P.S: nunca mais fazer a barba



Eu sei que sou baixo, mas não sou obrigado a passar por isso.
Passei na frente de uma escola municipal. Me confundiram com um aluno, brigaram comigo por estar sem uniforme e tentaram me arrastar pra dentro da escola.
Fiquei em estado de choque, procurando as câmeras da pegadinha, enquanto umas novinhas ficaram dizendo alto: uhmmmm, noossa aluno novo. Comecei então o barraco:
- senhor, atenção, eu não estudo nessa instituição, olha que palavra bonita, instituição, tenho 22 anos, estou na segunda faculdade e indo trabalhar, me solta.
Ele desencostou, me olhou bem, ficou totalmente enrubescido e me pediu um milhão de desculpas. Enquanto eu saía as meninas na frente disseram: - aaaaahhhh....deixa o zap zap...
Eu digo que dava pra fazer um seriado da minha vida, só passo vergonha. E uma lição eu aprendi, nunca mais fazer a barba, ponto. 

Cães abandonados





Eu estava na Taquara comprando umas ervas frescas, deslumbrado com o comercio local, quando de repente olho para o chão e sou chamado por um senhor de rua, cujas pernas estavam todas sustentadas por ferros.
Eu sou a pessoa mais distraída do mundo, saio na rua falando sozinho, rindo dos meus pensamentos e viajando nas minhas ideias, mas aquele senhor me fez parar e prestar a atenção.
Ele me pediu dinheiro, como previsto, só que eu já tinha gasto todo o meu dinheiro físico, olhei no fundo dos olhos dele e pedi mil desculpas fazendo uma promessa de que quando eu voltasse eu daria uma nota alta pra ele. Até brinquei dizendo que não estava fácil pra ninguém.
De um ar melancólico, ele começou a sorrir e me disse:
- Você acabou de me dar algo muito melhor do que o dinheiro, você me deu atenção e não me tratou feito um cachorro como todas as pessoas fazem. A sua preocupação, o seu carinho, valhem mais do que todo o dinheiro desse mundo, menino.
Preciso dizer que chorei rios amazonas? me agachei e dei um abraço nele, sem me importar com o olhar de desprezo das pessoas em nossa volta e susurrei no ouvido dele:
- Cães abandonados são essas pessoas que fingem não te ver, sofreram tanto na vida que aos invés de forte, se tornaram orgulhosas, e com isso esqueceram o que é o amor.
Levantei e saí correndo, como sempre, porque meu bus estava saindo sem poder me despedir.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A beleza do Pavor


Ouvimos histórias ao longo da vida difíceis de imaginar acontecendo em nosso meio. Pois uma delas acabou de ocorrer com a minha família nos fazendo provar o amargo gostinho do pavor.


A minha irmã, apesar de ser muito bonita, é uma garota ingênua e apaixonada, incapaz de ver maldade nas pessoas e no mundo. A minha mãe, por sua vez, sempre a orienta sobre a malignidade do ser humano e, até mesmo, a priva de algumas liberdades como andar sozinha ou pegar um ônibus, por exemplo.

- Alô mãe? Eu fui assaltada. ( disse com uma voz chorosa)
- Como assim, onde você está?
- No carro do homem.

Se estivesse na rua, tudo bem, grita, corre, faz qualquer coisa, mas no carro do homem? Faz qualquer mãe deixar o racional de lado e instintivamente entrar aos berros. Eu nunca vi minha mãe berrar tanto, era um grito de dor, era um urro de perda. Peguei desesperadamente o telefone e atendi:

- Alô, aqui é o irmão dela que está falando, vamos negociar, pelo amor de Deus; não vamos envolver a polícia nisso. Me leve no lugar dela e depois diz o seu preço. Não encoste um dedo nela que eu....

- Tá com medo que eu faça alguma coisa com essa princesa, é? Eu quero grana...

Eu poderia ter entrado em pânico como a minha mãe, mas se tem uma coisa que aprendi quando era escoteiro, é raciocinar nas dificuldades, me ajudar e depois ajudar os mais fracos. Foi o que eu fiz, mesmo querendo chorar e gritar. Enrolei o cara no telefone enquanto a empregada tentava ligar pro celular da minha irmã e que ao mesmo tempo cuidava para a minha mãe não desmaiar.

- Oi, não posso falar agora, estou na faculdade. Tá tudo bem? - respondeu minha irmã. 

Segurei fortemente o telefone com o meu coração transbordando de ódio, todo me tremendo, respirei fundo e respondi ao casal que estava nos passando o trote:

- Obrigado
- Como assim obrigado? Tu tá maluco irmão ? Vai ficar me enrolando?
- Obrigado por me lembrar que a família é a coisa mais importante do mundo e que eu faria qualquer coisa por ela.

Parece ficção, mas foi mais uma história da minha vida.