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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A beleza do Pavor


Ouvimos histórias ao longo da vida difíceis de imaginar acontecendo em nosso meio. Pois uma delas acabou de ocorrer com a minha família nos fazendo provar o amargo gostinho do pavor.


A minha irmã, apesar de ser muito bonita, é uma garota ingênua e apaixonada, incapaz de ver maldade nas pessoas e no mundo. A minha mãe, por sua vez, sempre a orienta sobre a malignidade do ser humano e, até mesmo, a priva de algumas liberdades como andar sozinha ou pegar um ônibus, por exemplo.

- Alô mãe? Eu fui assaltada. ( disse com uma voz chorosa)
- Como assim, onde você está?
- No carro do homem.

Se estivesse na rua, tudo bem, grita, corre, faz qualquer coisa, mas no carro do homem? Faz qualquer mãe deixar o racional de lado e instintivamente entrar aos berros. Eu nunca vi minha mãe berrar tanto, era um grito de dor, era um urro de perda. Peguei desesperadamente o telefone e atendi:

- Alô, aqui é o irmão dela que está falando, vamos negociar, pelo amor de Deus; não vamos envolver a polícia nisso. Me leve no lugar dela e depois diz o seu preço. Não encoste um dedo nela que eu....

- Tá com medo que eu faça alguma coisa com essa princesa, é? Eu quero grana...

Eu poderia ter entrado em pânico como a minha mãe, mas se tem uma coisa que aprendi quando era escoteiro, é raciocinar nas dificuldades, me ajudar e depois ajudar os mais fracos. Foi o que eu fiz, mesmo querendo chorar e gritar. Enrolei o cara no telefone enquanto a empregada tentava ligar pro celular da minha irmã e que ao mesmo tempo cuidava para a minha mãe não desmaiar.

- Oi, não posso falar agora, estou na faculdade. Tá tudo bem? - respondeu minha irmã. 

Segurei fortemente o telefone com o meu coração transbordando de ódio, todo me tremendo, respirei fundo e respondi ao casal que estava nos passando o trote:

- Obrigado
- Como assim obrigado? Tu tá maluco irmão ? Vai ficar me enrolando?
- Obrigado por me lembrar que a família é a coisa mais importante do mundo e que eu faria qualquer coisa por ela.

Parece ficção, mas foi mais uma história da minha vida.

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